Cultura
CRÍTICA: SEM TABUS
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“A Vida de Adele”, de Abdellatif Kechiche, reflete a verdadeira genialidade do cinema francês. Reconhecida com a Palma de Ouro em Cannes, a longa-metragem – ênfase em longa – lança uma jovem numa viagem de descoberta pessoal, que quebra a realidade como esta a conhecia e a faz refém do seu primeiro amor. A personagem procura descobrir-se, crescer e enquadrar-se numa típica sociedade europeia, um mundo a que não pertence.
Um argumento que poderia ser facilmente banalizado, faz sobressair o génio de uma realização de estilo europeu. Os pequenos detalhes fazem a obra contornar o cliché e assumir-se como um dos filmes mais aclamados de 2013. Desempenhos humanos, personagens acessíveis, emoções à flor da pele e uma filmagem repleta de sentimentos, que compõem uma experiência única.
O filme, que se orgulha de ser pouco civilizado, sem preocupações com as maneiras ou com a política correta, denota um desempenho fluído, natural e sem os típicos dramatismos artísticos do cinema moderno.
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